A asma é uma doença respiratória crônica muito comum. No Brasil estima-se pelo menos 20 milhões de pessoas portadoras da doença, isso equivale a mais ou menos 10% da população brasileira.
Ela afeta tanto adultos quanto crianças e mesmo que a maioria dos casos seja leve, estamos lidando com uma doença potencialmente muito grave. Esta doença é responsável pela morte de cerca de duas mil pessoas por ano no Brasil, entre adultos e crianças.
Apesar de ser frequente, ainda gera muitas dúvidas. Muita gente convive com sintomas por anos sem saber que tem asma.
A boa notícia é que, com diagnóstico correto e tratamento adequado, é possível viver bem, com qualidade de vida e sem riscos.
Mas afinal, o que é asma?
A asma, anteriormente chamada de bronquite asmática, é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. Para entender melhor, imagine que os canais que levam o ar para dentro dos pulmões (os brônquios e bronquíolos) são como mangueiras. Na pessoa com asma, essas “mangueiras” são muito sensíveis.
Quando entram em contato com algum gatilho (como poeira ou frio), elas sofrem três reações:
- Inflamação: As paredes internas incham (a famosa bronquite).
- Bronconstrição: Os músculos ao redor se apertam, estreitando a passagem de ar.
- Muco: O corpo produz um catarro espesso que obstrui ainda mais o caminho.
Essa inflamação ou bronquite não acontece o tempo todo da mesma forma. Por isso, a asma costuma ter períodos de melhora e períodos de piora, chamados de crises e muitas vezes o intervalo entre as crises pode durar até anos,
Diferente de um resfriado, a asma não tem “cura” definitiva, mas tem controle total.

A asma é uma doença de crianças?
De jeito nenhum.
Embora seja muito comum na infância, a asma pode surgir em qualquer idade.
Existe a asma de início na infância e a asma de início tardio, que aparece na vida adulta.
Em adultos, muitas vezes o diagnóstico demora mais, porque os sintomas são confundidos com outras doenças respiratórias.
Quais são os sintomas da asma?
Um mito muito frequente na população é o de que a asma só tem como sintomas a tosse e o chiado ou piado respiratório (sibilância em temos médicos). Além de a lista de sintomas ser grande eles podem se manifestar de várias formas em diferentes pessoas
Fique atento a esta lista de sinais comuns:
- Falta de ar: A sensação de que o ar não chega ao fundo dos pulmões.
- Chiado ou “piado” no peito: Um som agudo que ocorre principalmente na hora de soltar o ar.
- Tosse crônica: Geralmente seca, piorando à noite ou logo cedo ao acordar.
- Aperto no peito: Como se houvesse um peso ou uma corda amarrada no tórax.
- Cansaço fácil: Sentir-se exausto em atividades que antes eram simples.
O que pode desencadear as crises de asma?
A asma “ataca” quando o pulmão encontra algo que o irrita. Identificar esses gatilhos é boa parte do tratamento. Os mais comuns são:
- Ácaros e poeira: Presentes em tapetes, cortinas e bichos de pelúcia não adequadamente higienizados;
- Pelos de animais: Cães e gatos podem soltar partículas que irritam quem é sensível;
- Fumaça: Seja de cigarro, queimadas ou poluição urbana.;
- Mudanças de temperatura: O ar muito frio e seco é um gatilho potente;
- Odores fortes: Perfumes, produtos de limpeza e tintas;
- Infecções: Gripes e resfriados costumam piorar o quadro asmático

Como saber se eu tenho asma?
O diagnóstico da asma é feito após avaliação médica e com base em três pilares:
- História clínica
- Exame físico
- Exames complementares
O primeiro passo é a conversa no consultório. Relatar as características dos sintomas, quando se iniciaram, como eles surgem, com que frequência e em quais situações.
O médico também avalia histórico familiar, alergias, exposições ambientais, ocupacionais (tipo de trabalho) e ao tabagismo.
Durante o exame físico, ou seja, quando o médico examina o paciente, ele vai observar o padrão respiratório, presença de sinais de esforço e principalmente os ruídos pulmonares durante a ausculta pulmonar. Na asma (antiga bronquite asmática) é muito comum a presença do chiado ou piado ou ainda da sibilância.
O principal exame para diagnóstico e acompanhamento da asma é a espirometria.
A espirometria é um dos principais exames que avaliam a função pulmonar.
Ela mede o quanto de ar a pessoa consegue inspirar e expirar, e com que velocidade e qual o grau de dificuldade para movimentar o ar.
Em muitos casos, o exame é feito antes e depois do uso de um broncodilatador.
Outros exames podem ser solicitados, dependendo do caso:
- Radiografia ou tomografia do tórax
- Testes alérgicos
- Exames de sangue
- Medidas de óxido nítrico exalado
Nem todo paciente precisa de todos esses exames. A avaliação é individualizada.
Como é o tratamento da asma?
Aqui está o ponto mais importante: o tratamento da asma mudou muito nos últimos anos. Hoje, o objetivo não é apenas tratar a crise quando ela acontece, mas evitar que ela aconteça.
Dessa forma podemos considerar o tratamento da asma dividido em três partes:
- Controle dos fatores desencadeantes;
- Medicação adequada;
- Atividades físicas;
- Educação do paciente.
Controle do ambiente:
O controle do ambiente é parte fundamental para evitar as crises de bronquite e consiste basicamente em reduzir ou mesmo evitar a exposição aos desencadeantes.
Algumas orientações básicas incluem:
- Evitar poeira e mofo em casa
- Manter o ambiente ventilado
- Lavar roupas de cama com frequência;
- Evitar fumaça de cigarro
- Não fumar e evitar ambientes com fumantes
- Ter cuidado com cheiros fortes
Medicação adequada:
Os medicamentos mais usados são os inalados, conhecidos popularmente como “bombinhas”.
Eles agem diretamente nos pulmões, com pouca absorção para o sangue e por isso menos efeitos colaterais.
Exite um mito de que as “bombinhas” viciam. Isto é uma grande mentira. A verdade é que as medicações inalatórias permitem que o asmático tenha uma vida normal.
Existem dois grandes grupos de medicamentos inalados:
1. Medicamentos de alívio
São usados para aliviar sintomas durante uma crise.
Agem rapidamente, relaxando os músculos dos brônquios.
Teoricamente não deveriam ser usados de forma frequente sem orientação médica.
O uso excessivo indica que a asma não está bem controlada.

2. Medicamentos de controle
São usados diariamente, mesmo quando não há sintomas. Eles tratam a inflamação dos brônquios e previnem as crises.
Esses medicamentos são a base do tratamento da asma. Sem eles, o controle adequado dificilmente é alcançado.
Em casos mais graves, podem ser utilizados medicações combinadas em dispositivos inalatório ou ainda por via oral como os corticoides.
Nos casos de asma grave ainda é possível utilizar medicações novas conhecidas como Imunobiológicos. Estas são medicações que atual a nível celular no controle da doença mais grave.
A escolha depende da gravidade da asma e da resposta ao tratamento.
Uso correto da bombinha:
Muitos pacientes usam a bombinha de forma incorreta. Isso reduz muito a eficácia do tratamento. Por isso, é essencial receber orientação adequada sobre a técnica, uso de auxiliadores como os espaçadores e frequência e horários das medicações
Uma boa técnica faz toda a diferença no tratamento.
Asma e atividades físicas:
Pessoas com asma podem e devem praticar atividade física. O exercício melhora a capacidade pulmonar, a qualidade de vida e o controle da doença.
Quando a asma está bem controlada, o paciente consegue se exercitar normalmente.
Em alguns casos, pode ser necessário ajuste da medicação antes da atividade.
Quando procurar um pneumologista?
Todo paciente asmático deve procurar uma pneumologista para fazer a avaliação inicial e o adequado acompanhamento para evitar crises. Mas se o paciente tem falta de ar frequente, apresenta tosse persistente, tem chiado no peito, usa bombinha de alívio com frequência, já teve crises graves ou internações ou sente que sua asma não está bem controlada ele deve procurar pelo pneumologista o mais breve possível.
O acompanhamento especializado permite ajustes precisos do tratamento e prevenção de crises.
Mensagem final:
A asma é uma doença muito comum e o maior erro é aceitar os sintomas como parte da rotina. “Cansar rápido” não é normal. Acordar à noite tossindo não é normal.
A medicina moderna permite que o asmático tenha uma vida plena, sem restrições. Se você se identificou com os sintomas citados, o primeiro passo é buscar um diagnóstico preciso.
Lembre-se que cuidar dos seus pulmões é o primeiro passo para ter fôlego para realizar todos os seus sonhos.
Amei o conteúdo.